O psiquiatra Richard Graham, 48, lidera desde março de 2010 um serviço de atendimento no hospital Capio Nightingale, em Londres, voltado a jovens viciados em tecnologia. A instituição particular tem diferentes tipos de tratamentos para aqueles que não conseguem se desconectar – entre eles, uma internação em que o paciente passa cerca de um mês vivendo no local, sem acesso a computadores.
Graham falou sobre esse tipo de vício que, segundo ele, pode levar até à morte (o médico cita o caso de um britânico que morreu vítima de um coágulo em sua perna depois de tanto jogar no computador). A dependência, de acordo com o psiquiatra, é agravada pelas redes sociais, onde há uma pressão do grupo para que o usuário esteja sempre online.
“O excesso de tecnologia esgota o
cérebro da mesma forma como acontece com a depressão e como acontece com o uso
de anfetaminas, por exemplo, que dão muita empolgação para depois
deprimir”, explicou.
Em São Paulo, o Hospital das Clínicas tem um programa gratuito para tratamento de viciados em internet baseado
em acompanhamento psicológico e psiquiátrico do paciente. A alternativa, no
entanto, não conta com internações.
TESTE: VOCÊ É VICIADO
EM INTERNET?
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O teste com as
perguntas abaixo foi desenvolvido pelo psiquiatra Richard Graham, do hospital
Capio Nightingale. Ele afirma que, se responder 'sim' a mais de cinco
alternativas, é possível que você tenha problemas com a tecnologia
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1 - Você fica online
mais tempo do que gostaria, com cada vez mais frequência?
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2 – Você ignora e
evita seu trabalho e outras atividades para passar mais tempo conectado?
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3 – Você checa com
frequência mensagens e e-mails antes de algo que precisa fazer, às vezes até
se atrasando para refeições?
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4 – Você se irrita
quando alguém o interrompe quando está tentando fazer algo online ou no seu
telefone?
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5 – Você prefere
passar tempo com pessoas na internet a encontrá-las pessoalmente?
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6 – Quando está
offline, você pensa muito sobre quando conseguirá se conectar novamente?
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7 – Você discute ou se
sente criticado por amigos, parceiros e parentes sobre a quantidade de tempo
que passa online?
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8 – Você se empolga
com a expectativa de ficar online e também pensa antecipadamente sobre o que
fará quando estiver conectado?
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9 – Você prefere
atividades na tela a sair e fazer algo diferente disso?
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10 – Você esconde ou
fica na defensiva sobre suas atividades online?
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Graham - Hoje, por causa dos smartphones, é difícil conseguir gerenciar o uso saudável da tecnologia. Acho que nenhum de nós sabe quais as diretrizes ideais para isso, mas pensamos que mais de três horas de tela por dia pode fazer com que você queira mais e mais disso.
Cada vez mais os diferentes aspectos da tecnologia estão se aproximando.
O que parece um jogo é também uma rede social, pois permite conversar com
pessoas de todo o mundo. Seus amigos estão nesse jogo, aqueles que o apoiam
estão nesse jogo, suas vitórias estão nesse jogo. Da mesma forma, há games
disponíveis no Facebook. Por isso o serviço do Capio Nightingale se chama
centro de recuperação de pessoas viciadas em tecnologia, e não só de viciados
em games.
Um hospital britânico lançou um tratamento
de reabilitação para adolescentes viciados em videogames, computadores e
aparelhos de celular.
O
Hospital Capio Nightingale, no centro de Londres, disse que tomou a decisão de
abrir esse serviço depois de ouvir diversos apelos de pais preocupados com o
tempo que seus filhos dedicam a essas novas tecnologias.
"Os
serviços de saúde mental precisam se adaptar rapidamente às mudanças no mundo
em que os jovens vivem, e entender o quão seriamente suas vidas podem ser
prejudicadas por causa da falta de controle sobre o tempo que eles passam
conectados à internet, diante da tela da TV ou jogando videogame", declarou
Richard Graham, psiquiatra que comandará o serviço.
Segundo
o médico, apesar de outras clínicas oferecerem atendimento para adolescentes, o
foco no vício nessas novas tecnologias ainda é raro nos serviços psicológicos.
Quando
a criança passa muito tempo viciada nessas novas tecnologias, diz o
especialista, "o usuário é comprometido tanto em termos de autoconfiança
para enfrentar as demandas da vida no mundo real, quanto fisicamente, em
decorrência de uma alimentação pobre e da falta de atividade física".
Atividades
Para
reverter este problema, a reabilitação, que atenderá pessoas a partir de 12
anos, incluirá atividades individuais e terapias de grupo.
O
objetivo principal será persuadir os pacientes a ampliarem suas atividades
sociais e de lazer no mundo real, mantendo-se mais tempo distantes dos
computadores e videogames.
O
hospital espera ajudar os adolescentes a refletirem sobre sua relação com os
equipamentos eletrônicos e sobre como mantê-los desligados.

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